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quarta-feira, 12 de março de 2014


Para brasileiros, mídia é a entidade mais confiável

  • ‘Estudo Edelman 2013’ entrevistou mil pessoas no país
O GLOBO (EMAIL·FACEBOOK·TWITTER)
Publicado:
SÃO PAULO — Em meio a diversos questionamentos sobre a credibilidade das instituições no país, a mídia é a entidade mais confiável para a maior parte dos brasileiros, de acordo com o “Estudo de confiança Edelman 2013”. Segundo o levantamento, que ouviu 31 mil pessoas em 26 países, mil delas no Brasil, veículos de comunicação são confiáveis para 66% dos brasileiros. Em seguida, estão as empresas (64%), ONGs (59%) e governo (33%).
O resultado segue a mesma tendência da pesquisa sobre corrupção no mundo divulgada semana passada pela Transparência Internacional, segundo a qual a percepção sobre corrupção envolvendo a mídia no país é menor na comparação com a maioria dos países.
— São medições diferentes, mas que convergem ao demonstrar a confiança que a mídia tem por parte da população — disse o diretor executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira.
Crença no governo se mantém baixa, diz pesquisa
O Estudo de Confiança Edelman, divulgado em março, é realizado desde 2001 com pessoas de diferentes classes sociais e idades. Entre 2007 e 2012, o primeiro lugar na confiança dos brasileiros era ocupado pelas empresas. É a primeira vez que a mídia ocupa o primeiro lugar neste índice de confiança.
— É um dado muito eloquente que demonstra reconhecimento da opinião pública em relação ao bom trabalho da mídia de melhor informar as pessoas, buscar cobertura de todos os assuntos, investigar aquilo que precisa ser investigado — diz o diretor executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira, para quem a continuidade do exercício do jornalismo feito com profissionalismo e independência fortalece o resultado da pesquisa.
Para o vice-presidente executivo do Instituto Ethos, Paulo Itacarambi, a liderança da mídia no ranking deste ano pode ser associada à cobertura ampla de temas ligados ao combate à corrupção, em especial em 2012, quando houve o julgamento do mensalão.
— A mídia toda trabalhou a questão do combate à corrupção, acho que isso explica um pouco o fato de ela ter ascendido e o índice do governo se manter baixo — diz Itacarambi.
A mesma pesquisa mostrou que os entrevistados confiam mais em “pessoas comuns”, como empregados, funcionários públicos, especialistas e acadêmicos, do que nos CEOs de empresas ou funcionários de alto escalão de um governo.
— Isso demonstra que as pessoas acreditam mais em quem não tem interesse político ou financeiro envolvido — conclui o dirigente do Ethos.
Já de acordo com o ranking da Transparência, o índice de percepção da mídia como instituição corrupta no Brasil é de 38%, próximo do registrado em países como Suíça (36%), Bélgica (37%) e Espanha (41%). O índice é bem mais alto em países como México (55%), Estados Unidos (58%), Reino Unido (69%) e Egito (80%).


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/para-brasileiros-midia-a-entidade-mais-confiavel-9031543#ixzz2vkuogz2A 
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terça-feira, 11 de março de 2014

Uma profissão de futuro por Hagar Espanha Gomes

                                                       Autor:                 Hagar Espanha Gomes

À medida que a sociedade evolui, profissões e ocupações
desaparecem para dar lugar a outras. Algumas, no entanto, conseguem
acompanhar a evolução porque sua função social permanece mudando
ou não sua denominação.
Dentre estas, cumpre destacar o bibliotecário. Poderíamos nos
deter aqui a defender este profissional, presos que estaríamos à sua
denominação. Esta abordagem não nos parece adequada pois, como
afirmamos anteriormente, é a função social que conta. Sua
permanência, no entanto, depende de acuidade suficiente para as
demandas da sociedade por informação e para as novas formas e canais
de comunicação.
O profissional de informação pode ter inúmeras denominações
que, de fato, enfatizam o tipo, a técnica, a modalidade de ação, ou
qualquer outro aspecto. Assim, ele pode se chamar bibliotecário,
documentalista, técnico de informação, analista de informação, corretor
de informação, para citar os mais corriqueiros. Com toda essa
diversidade, então, o que é que caracteriza tal profissional? Seu objeto
de trabalho e seus métodos e técnicas.
O bibliotecário, mesmo nos países desenvolvidos, reivindica mais
atenção para seu exercício profissional e mais reconhecimento. Como
diz uma colega, talvez por que nossa profissão seja "yin", e estamos
numa sociedade "yang". Para ganhar mais prestígio, procuramos alterar
a denominação e assim passamos a reivindicar o nome documentalista,
e agora, profissional de informação. Independentemente de considerar
isto bom ou ruim, precisamos nos voltar para nosso objeto de trabalho.
Se estamos numa biblioteca, o livro (lato sensu) é nosso objeto. Se
estamos num centro especializado, nosso objeto é o documento. Mas o
livro não é um documento? Então onde está a diferença?
E o jornalista? Não é ele também um profissional de informação?
O jornalista produz notícia, informação, que gera registro (documento).
Este é o campo que nos interessa, pois não há informação sem
documento, nem documento sem informação. Então, nosso métier é
Informação - Documento -I-D.
O advento de múltiplas novas tecnologias vem mudando os tipos e
formas dos documentos e em particular o sistema social em que são
escritos e lidos. Elas têm afetado seu modo de produção e também seu
uso pelas pessoas. Sua forma e modo de disponibilização e acesso se
constituem em grande preocupação dos profissionais de I-D.
A Internet, vista por alguns como uma grande biblioteca, já que
constituída de milhões de documentos - acervo não é uma característica da biblioteca? -
 é, ainda, de fato, uma grande miscelânea que
freqüentemente deixa seus usuários perdidos no ciberespaço. Cientistas
da computação, junto com bibliotecários estão em busca da solução
para estes problemas estudando metadados, que nada mais são do que
indicações de categorias de dados para que os browsers possam
encontrar as informações requeridas pelos usuários.
Para tanto, grande cuidado está sendo devotado ao estudo das
estruturas dos documentos, de forma que os bibliotecários estão sendo
visto por outros especialistas como "arquitetos de informação" .Este
nome demonstra a relevância de sua contribuição para a solução do
disciplinamento da produção de documentos eletrônicos e sua
disponibilização nas bibliotecas digitais.
Este é, sem dúvida, um aspecto novo para uma velha técnica, a
catalogação - já agora em outro contexto e forma, mas basicamente
com a mesma finalidade. Mas esta não é a única novidade. O serviço de
referência, por exemplo, agora pode ser exercido via correio eletrônico
ou nas caixas de ajuda dos serviços e produtos informacionais
disponibilizados em meio eletrônico, como catálogos, bibliografias,
cadastros.
Se sairmos do ambiente biblioteca e formos para as organizações,
cujos documentos produzidos são em grande parte a base para
diagnósticos de atuação e para a tomada de decisão, também aí o
profissional de I-D vai estar presente na concepção do modelo
conceitual dos sistemas de informação que já não se contentam com a
emissão de relatórios, mas precisam de serviços de recuperação de
informação e de indicadores.
Uma alteração profunda em sua forma de atuação é que agora o
profissional de I-D atua em parceria com os profissionais de informática
e precisa, ele mesmo, ter grande domínio dos aplicativos.
Agora que os serviços podem ser acessados até na casa dos
interessados, o profissional de I-D- longe de se sentir inútil-ganha mais
um papel: o de treinador do usuário nas técnicas de recuperação de
informação. Embora muitos usuários prefiram, eles mesmos fazer as
buscas, uma grande quantidade não tem tempo ou disposição. E aqui,
novo espaço se abre para o profissional de I-D atuar como "information
broker" (corretor/intermediário).
Técnicas novas, não necessariamente ligadas ao processamento
de informação, precisam ser dominadas para que o profissional de I-D
otimize seus produtos e serviços. A mais relevante, a nosso ver, é a de
hipertexto, fundamental para que ele apresente os "sites". Usei
propositadamente o verbo "apresentar", porque a "construção" de um
"site" requer a adoção de princípios que os bibliotecários já dominam de
há muito, pois o que é um "site", senão um "guia de informação"?Estes são apenas
 alguns dos aspectos que mostram a rica possibilidade de atuação dos profissionais
de I-D, novo patamar que os bibliotecários devem buscar. É fácil? Não. É um desafio.
Sobretudo requer atuação em parceria com profissionais da informática. Parceria
tumultuada, no início, mas muito proveitosa para ambos, em seguida.
É um privilégio podermos participar desta mudança em curso. Por
tudo isto, creio que estamos todos de parabéns por sermos
bibliotecários.
Fonte: http://www8.fgv.br/bibliodata/geral/docs/Profiss%C3%A3odeFuturo.pdf