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domingo, 5 de julho de 2015

14 coisas que todo mundo entende errado sobre bibliotecários


“Sim, eu posso te ajudar a achar todos os livros.” “Não, eu não passo o dia inteiro lendo todos os livros.”
por Arianna Rebolini, do BuzzFeed
Recentemente perguntamos a alguns bibliotecários na comunidade do BuzzFeed quais são as idéias mais erradas que as pessoas tem sobre o seu trabalho. Seguem os resultados esclarecedores!
1. Que no seu trabalho não tem stress nenhum.
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Flickr: pleeker / Creative Commons
“Odeio quando as pessoas dizem, ‘é tão silencioso aqui. seu trabalho deve ser super relaxante’. Ou assumem que você tem três horas no trabalho apenas pra ler qualquer livro que você queira”. —Jackie DeStefano, Facebook
“Especialmente durante o programa de leitura de verão*!” —Maria Slytherinn Hill, Facebook
2. Que a tecnologia faz com que seu trabalho seja redundante.
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Shironosov / Getty Images
“[As pessoas assumem] que bibliotecários e bibliotecas são obsoletos porque ‘você pode achar tudo no Google’. Há tanta informação (eletrônica ou em outro suporte) que não pode ser acessada pelo Google, e nós sabemos encontrá-la.” —AnnaBanana617
3. Que você passa os dias lendo.
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Wx-bradwang / Getty Images
“Pessoas me disseram que elas adorariam ser bibliotecárias porque seria muito bom trabalhar com livros o dia todo. Nada disso. Não é isso que eu faço o dia todo. Eu trabalho com PESSOAS o dia inteiro – referência, programação de ensino. Às vezes isso envolve fazer com que elas encontrem livros, mas se não fosse pelas pessoas, não existiriam bibliotecários.” —Emily Lauren Mross, Facebook
4. Que você ou é assim…
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Valery Seleznev / Getty Images
“[As pessoas acham] que você precisa ser de um certo jeito! Tenho cabelo roxo, tatuagens e um piercing no nariz.” —Maria Slytherinn Hill, Facebook
5. Ou assim:
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google.com
“Todo o combo de ‘bibliotecária sexy’ é realmente tosco.” — saraf45be50781
6. Que se o seu foco é em leitura/literatura para crianças, é sempre brincadeira.
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Purestock / Getty Images
“Detesto quando acham que bibliotecários que se envolvem com crianças (ou escolares) são babás glorificadas que fazem apenas hora do conto. Eu sou responsável por bem mais que isso, incluindo habilidades em tecnologia e ensino” — Jessica Vining Prutting, Facebook
7. Que você só trabalha em bibliotecas ou em escolas.
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Ziviani / Getty Images
“A biblioteconomia é bastante ampla em diversidade. Trabalhamos em organizações, escritórios jurídicos, institutos de pesquisa e laboratórios, no governo e nas forças armadas. Não apenas damos baixa e realocamos livros. Somos pesquisadores, especialistas em computação, desenvolvedores de coleções, arquivistas, especialistas, especialistas em metadados (fazemos com que tudo seja encontrável online e offline) e muito mais” —AnnaBanana617
8. Que você não precisa de diploma pra isso.
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Chad Baker/Jason Reed/Ryan McVay / Getty Images
“As pessoas sempre se chocam quando eu falo pra elas que eu estou me especializando para ser bibliotecária. Acredito que elas pensam que bibliotecários só precisam saber a CDD e talvez como usar o computador, de vez em quando” —Chelsea Phillips, Facebook
9. Que o trabalho é fácil.
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Purestock / Getty Images
“Sou bibliotecária de escola de ensino fundamental e é muito frustrante ouvir, ‘Seu trabalho deve ser tão fácil! Você só lê pra eles o dia todo!’. Sim. E ensino habilidades de pesquisa, de comunicação, de falar em público, entre outras. Sem contar a gestão de classe, orçamento, processamento, auxílio aos professores… Certamente não é tão fácil quanto eu faço aparentar ser!” —brittanyo4910df152
10. Que você tem aversão à tecnologia.
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Cathy Yeulet / Getty Images
“A maioria das pessoas não percebe que nós temos que ter aulas de computação bem intensas para termos um mestrado em biblioteconomia. Muitos de nós entendemos de design de bases de dados, HTML, C++, e outros códigos!” —laureno404824e16
11. Que você precisa ser de uma certa idade.
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John Gomez / Getty Images
“Eu já ouvi isso um monte de vezes: ‘Mas você é tão novinha!’ (Sou uma anomalia. A maioria das bibliotecárias nasce com 60 anos e só fica velha a partir dessa idade.)” —katrinalewine
12. Que vocês são um bando de puritanos.
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Nandyphotos / Getty Images
“O maior erro que já ouvi na vida é o de que bibliotecários são puritanos. Eu amo sexo! Só não curto quando eu tenho que testemunhar isso / mandar as pessoas pararem / limpar depois. Trabalhei numa biblioteca por nove anos e durante esse tempo eu costumava a flagrar pessoas transando e assistindo pornografia no computador O. TEMPO. TODO. Não quero nem começar a falar de todas as camisinhas usadas que eu encontrei entre os livros. *nojinho*” —deejuju
13. Que você é um solitário introvertido.
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Jupiterimages / Getty Images
“[As pessoas pensam] que você quer ser um bibliotecário porque você quer sentar sozinho e ler; bibliotecários sempre tem que estar disponíveis e interagindo com todo mundo desde crianças birrentas até pais e mãe, a pessoas em situação de rua procurando abrigo no inverno e ar condicionado no verão, até idosos tecnofóbicos. Nem todo mundo é bom nisso, bem como em qualquer outra profissão, mas aqueles que começam achando que vão sentar atrás de uma mesa e ler o dia todo são poucos e bem distantes!” —sarahc130
14. Que bibliotecas basicamente são uma espécie em extinção.
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Flickr: drocpsu
“[As bibliotecas] não estão morrendo — elas estão mudando.” —Sara Frye, Facebook

Escritores rejeitam nacionalidade e abraçam literatura como pátria Rachel Donadio

Escritores rejeitam nacionalidade e abraçam literatura como pátria

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Quando Dany Laferrière tomou posse na Academia Francesa, a mais excelsa instituição literária da França, o Québec e o Haiti se apressaram em celebrá-lo, numa onda de orgulho nacional. Ele nasceu e cresceu no Haiti, mas migrou para Montreal em 1970 e assumiu a cidadania canadense.
A louvação prestada a Laferrière lembrou o caso de V.S. Naipaul -nascido em Trinidad, filho de pais indianos, formado em Oxford e cidadão britânico, e por isso reivindicado por esses três países quando ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, em 2001.
Thomas Samson/AFP
O escritor haitiano-canadense Dany Laferriere em cerimônia de posse na Academia Francesa em maio de 2015.
O escritor haitiano-canadense Dany Laferriere em cerimônia de posse na Academia Francesa em maio de 2015.
A inclusão de Laferrière na Academia e as reações que ela motivou indicam uma curiosa contradição: quem está de fora -críticos, instituições e administradores de prêmios- geralmente categoriza os autores por língua e nacionalidade. No entanto, muitos escritores pleiteiam apenas a cidadania da república das letras. Por que a insistência em rotulá-los?
"Minha impressão é que os escritores são poliamorosos quando se trata de nacionalidade, mas que o diálogo crítico, por tratar do contexto, tende ao nacionalismo", disse John Freeman, ex-editor da "Granta", editor da revista "Freeman's" e autor de "Como Ler um Escritor". "Não é que os críticos sejam patriotas, mas com frequência escrevem em fóruns -jornais, revistas- que reforçam a identidade nacional, em vez de complicá-la ou erodi-la."
Laferrière afirma que foi moldado tanto pelos livros da sua biblioteca quanto pelos países onde viveu.
De Joseph Conrad a Samuel Beckett, alguns autores encontraram suas vozes em outro idioma que não a sua língua materna. O tcheco Milan Kundera escreve em francês desde que se mudou para Paris, na década de 1970. Seu mais recente romance, "A Festa da Insignificância", foi lançado no Brasil em 2014.
Jhumpa Lahiri, contista e romancista ganhadora do Prêmio Pulitzer, mudou-se de Nova York para Roma em 2012. Em fevereiro, a editora Guanda lançou "In Altre Parole" (em outras palavras), primeiro romance dela em italiano, idioma que disse ter estudado por 20 anos.
Lahiri nasceu em Londres, filha de pais indianos, e cresceu em Rhode Island (EUA). Ela disse que durante anos sentia "culpa por ter aprendido a ler numa língua que eu não falava com meus pais". Escrever em italiano é "uma maneira de me reinventar como pessoa e como escritora, e também de assumir um enorme risco", segundo ela.
Raquel Cunha/Folhapress
A escritora inglesa Jhumpa Lahiri na Flip 2014.
A escritora inglesa Jhumpa Lahiri na Flip 2014.
A coletânea de ensaios de Lahiri é como um espelho do livro "The Other Language" (a outra língua), lançado em 2014. Trata-se de uma seleção de contos redigidos originalmente em inglês pela escritora italiana Francesca Marciano, que vive em Roma e é amiga de Lahiri. Depois que o livro de Marciano foi lançado numa tradução para o italiano, em maio, ela disse ter notado que "era vista um pouco como uma traidora" na Itália.
Marciano, que aprendeu inglês na adolescência, tornou-se romancista no Quênia, na década de 1990. "Cada um de nós confere um valor emotivo a uma língua", acrescentou. "Para mim, o inglês se tornou a língua da minha expressão ficcional."
Em 2013, a "Granta" escolheu Benjamin Markovits, nascido nos EUA, como um dos 20 melhores jovens romancistas britânicos. Mas ele só tem passaporte britânico por vínculo de casamento. A cidadania "acaba sendo uma questão tão prática quanto espiritual", disse Markovits. "Eu nunca teria entrado na lista da 'Granta' se não tivesse jurado lealdade à rainha."
Markovits mora em Londres há 15 anos, mas ambientou seu mais recente romance, "You Don't Have to Live Like This" (você não tem que viver assim), em Detroit. Ele disse que o Reino Unido, com sua complexa estrutura de classes, ainda continua sendo um pouco estrangeira para ele. "Ainda assim, não me sinto totalmente americano enquanto estiver na Inglaterra."
Às vezes, esses escritores fecham um círculo completo. Em seu discurso à Academia, Laferrière homenageou o escritor francófono de origem argentina Hector Bianciotti, que morreu em 2012 e cuja cadeira na instituição ele passou a ocupar.
Laferrière falou sobre como Bianciotti só passou a ser valorizado como escritor na Argentina depois de se mudar para Paris e se tornar um escritor francês. E lembrou-se de como, perto de morrer, Bianciotti voltou ao espanhol, "a única língua", disse Laferrière, "em que se pode expressar o silêncio".