O erro de Descartes de Antonio Damasio havia algum tempo aguardava na fila para ser lido, e eis que resolvi enfrentar o tijolão. Peguei um sábado insosso e estabeleci a meta de lê-lo todo, mas não foi tanto sacrifício assim, pulei um caudaloso número de páginas que descreviam o sistema neural, anatômica e fisiologicamente, e não vi utilidade em reter esses dados tão minuciosos e chatíssimos. Damasio procura, com eles, e não sem ajuda de extensa bibliografia, embasar sua argumentação que consistia em mostrar que, ao contrário do que o mestre francês dizia, corpo (cérebro) e mente são entidades inseparáveis. Nem precisava de tanta firula. O argumento de Descartes (1596-1650) em primeiro lugar é filosófico, e reinvindica o princípio da dúvida como a base científica do conhecimento - cogito -penso, logo existo deve ser lido como duvido, logo existo. Ora tal primado era uma ameaça ao dogma da Igreja, em pleno período da Inquisição. Descartes foi sagaz a ponto de criar uma "metafísica" onde a entidade mente (ou razão) não tinha materialidade, ou seja era "espírito" e "alma", logo, "coisas do Reino de Deus", o que por pouco lhe permitiu escapar da fogueira em que ardera um pouco antes Giordano Bruno (1600) e do processo imputado pelo Santo Ofício a outro defensor das ideias que contrapunham-se ao dogma: Galileu Galilei (1642). Uma feliz constatação que o próprio Damásio faz, atualizando as premissas de Descartes para os dias de hoje é a de que o cérebro funcionaria como um hardware, enquanto a mente como um software! Ponto para o mestre francês! E para fechar o raciocínio do neurocientista italiano, no posfácio ele confessa que, apesar de muitas descobertas a respeito de cérebro e mente, ainda pouco se sabe ainda para que se desvende seus mecanismos e suas relações.
Poderíamos concluir então que, se foi possível avançar em Ciência, isso se deveu, em muito, ao princípio simples e irretorquível que Descartes fundou: o da Razão com sua propriedade de pensar e duvidar. Erro? Coisa de Deus? Façam as suas escolhas.
Poderíamos concluir então que, se foi possível avançar em Ciência, isso se deveu, em muito, ao princípio simples e irretorquível que Descartes fundou: o da Razão com sua propriedade de pensar e duvidar. Erro? Coisa de Deus? Façam as suas escolhas.
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