O Facebook é algo que é "para o bem e para o mal", diz o senso comum. Reiterando esse quase adágio e abusando da constatação de Berthold Brecht - "que tempos são esses em que vivemos afirmando o óbvio?", é isso mesmo. Duvido que Zuckerberg tenha premeditado o que seria essa Hidra de Lerna, um monstro mitológico que, cada vez que tinha a cabeça cortada, nasciam duas, no caso do Face não são duas, mas milhões de cabeças em conflito ou em harmonia e, cada vez mais, uma pirâmide gigantesca, em movimento e devorando, amoral, os desejos, o Bem e o Mal, as virtudes e as contradições humanas, ora ao atirá-las à ação, botando vidas em circulação como nas passeatas, ora tirando-lhes o sangue e a alma, como nas minorias fundamentalistas e violentas - sim, porque assim como cidadãos se aglutinam, entre eles há gente raivosa e gente "do mal" também. Se é para construir, também é para destruir, porque diante deste monstro cibernético, por mais que as pessoas se disfarcem em risonhas máscaras - à semelhança de Guy Fawkes (foto) - de felicidade e alegres mensagens de "elevação espiritual" e alta estima, a vida é dura para a maioria e existe, entre outras possibilidades de escapismo, o Face, cujo nome melhor talvez fosse Espelho ou Mirror, especialmente dos desejos de ser o que não se é, de ser visto, de ser amado, até de ser odiado mesmo que por vaidade, como uma autoestima às avessas, enfim, a despeito de qualquer mérito moral, Zuckerberg formatou uma rede de relacionamento que, segundo se diz, hoje é uma "nação"- multicultural - entre as maiores do mundo, só inferior em população à China e à India, multi (meta)linguística, porque afinal fala-se da vida, e consequentemente, de nós mesmos. É o quinto poder, com chance de alçar a primeiro, quem duvida? Mas o que me chama atenção é que ele é também uma espécie de uma giga-cultura sob a lâmina de um giga-microscópio. Pense quem afinal você é no meio dessa multidão, senão um privilegiado micróbio pensante! Isso é tão grande, tão grande que, ao contrário do que parece exposição, é anonimato puro, você é sim, o tão mal-falado anonymous, o anônimo, contra o vento e contra a (sua) vontade. E que para ser notado, muitas vezes, precisa chegar ao ridículo ou patético. Ou mesmo ao bizarro, na acepção mais extrema. Sinto decepcioná-los.Quanto maior é o Universo, menores somos, à exceção de quando juntamos nossas forças. Êta senso-comum!Este blog se destina à troca de ideias em torno da Leitura, Literatura, Biblioteconomia e Ensino. Será um prazer contar com sua participação.
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sexta-feira, 12 de julho de 2013
As faces do Face
O Facebook é algo que é "para o bem e para o mal", diz o senso comum. Reiterando esse quase adágio e abusando da constatação de Berthold Brecht - "que tempos são esses em que vivemos afirmando o óbvio?", é isso mesmo. Duvido que Zuckerberg tenha premeditado o que seria essa Hidra de Lerna, um monstro mitológico que, cada vez que tinha a cabeça cortada, nasciam duas, no caso do Face não são duas, mas milhões de cabeças em conflito ou em harmonia e, cada vez mais, uma pirâmide gigantesca, em movimento e devorando, amoral, os desejos, o Bem e o Mal, as virtudes e as contradições humanas, ora ao atirá-las à ação, botando vidas em circulação como nas passeatas, ora tirando-lhes o sangue e a alma, como nas minorias fundamentalistas e violentas - sim, porque assim como cidadãos se aglutinam, entre eles há gente raivosa e gente "do mal" também. Se é para construir, também é para destruir, porque diante deste monstro cibernético, por mais que as pessoas se disfarcem em risonhas máscaras - à semelhança de Guy Fawkes (foto) - de felicidade e alegres mensagens de "elevação espiritual" e alta estima, a vida é dura para a maioria e existe, entre outras possibilidades de escapismo, o Face, cujo nome melhor talvez fosse Espelho ou Mirror, especialmente dos desejos de ser o que não se é, de ser visto, de ser amado, até de ser odiado mesmo que por vaidade, como uma autoestima às avessas, enfim, a despeito de qualquer mérito moral, Zuckerberg formatou uma rede de relacionamento que, segundo se diz, hoje é uma "nação"- multicultural - entre as maiores do mundo, só inferior em população à China e à India, multi (meta)linguística, porque afinal fala-se da vida, e consequentemente, de nós mesmos. É o quinto poder, com chance de alçar a primeiro, quem duvida? Mas o que me chama atenção é que ele é também uma espécie de uma giga-cultura sob a lâmina de um giga-microscópio. Pense quem afinal você é no meio dessa multidão, senão um privilegiado micróbio pensante! Isso é tão grande, tão grande que, ao contrário do que parece exposição, é anonimato puro, você é sim, o tão mal-falado anonymous, o anônimo, contra o vento e contra a (sua) vontade. E que para ser notado, muitas vezes, precisa chegar ao ridículo ou patético. Ou mesmo ao bizarro, na acepção mais extrema. Sinto decepcioná-los.Quanto maior é o Universo, menores somos, à exceção de quando juntamos nossas forças. Êta senso-comum!
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