O aprendizado se dá em qualquer
espaço na vida. Porém, ocioso dizer, a escola é o
espaço de aprendizado por excelência,
pela necessidade de instruir, desenvolver competências e principalmente inserir o indivíduo no mundo
letrado, através das práticas pedagógicas. Já a biblioteca propicia o acesso a objetos informacionais, que são objetos físicos e virtuais, que podem não ser necessariamente de
natureza pedagógica, cujo acesso exige ferramentas facilitadoras. Nesse sentido, a informação cumpre a função de
gerar conhecimento. A informação é parte do corpo do conhecimento, não é ele
próprio. Assim a biblioteca cumpre um papel de mediação, não entre o “usuário/
utente/ consulente” e o conhecimento propriamente dito, como é próprio da escola; é a mediação entre aquele e as formas de acesso a conteúdos, através de sistemas de informação. Os
sistemas de informação são estruturas que dispõem de pontos de acesso - como autor, título e assunto - para
atender ao desejo, ou a uma necessidade que tenha gerado uma busca por parte do
indivíduo. Já o leitor, na sua definição
léxica de ”aquele que lê”, ou se propõe
a ler, na ou através da biblioteca, é aquele usuário que é membro ativo e faz
parte da comunidade de leitores, integrado à instituição. Há correntes que inclusive chegam a chamá-lo “sócio” ou “cliente”. É quando aparece o termo
leitor na biblioteca, a partir da atividade interessada de um usuário neste
espaço. Os demais serão potenciais leitores. Pode-se dizer que uma das expectativas mais comuns nas bibliotecas é
fazer de um usuário, apenas visitante ou frequentador, um leitor; daí as atividades
culturais em uma biblioteca serem uma
estratégia importante para atrair o usuário ou potencial leitor para o uso frequente da
coleção ou acervo ou para serviços além dela. Como pensar o papel do bibliotecário? Desde as políticas de
leitura tenta-se “pedagogizar” as funções bibliotecárias para o que chamam de
“formar leitores”. No Brasil essa tendência surge em fins da década de 90 do século passado, com os planos e políticas de leitura (PNLLs),
que ganham força pelo país afora, e cujo viés pedagógico surge com força. Isso
implica (e está expressamente colocado nas diretrizes do Proler) que as
bibliotecas ( e os profissionais) precisam "dar mais atenção" ao usuário do que
às atividades que os ocupam tradicionalmente como o tratamento da coleção, as atividades de classificação, catalogação, referência etc. Não que o bibliotecário não possa
se envolver em atividades culturais ou pedagógicas, como acontece em
bibliotecas escolares, é bom que se envolvam, mas tradicionalmente, para este
profissional não é requisito explorar conteúdos, embora tenha que ter/fornecer referência
deles; ao contrário do que ocorre com o
professor, que ministra os conteúdos. "Grande cuidado está sendo devotado ao estudo das estruturas dos documentos, [...] de forma que os bibliotecários estão sendo vistos por outros especialistas como `arquitetos de informação". (GOMES,2010)¹ É como o arquiteto que projeta um hospital, desconhece matéria médica, mas entende as necessidades de um hospital. No máximo, ele precisa se informar sobre o que é
essencial ao edifício para dar-lhe segurança, conforto e acessibilidade. Ou
seja, ele reúne informações para que o projeto seja executado à perfeição. Por analogia, o bibliotecário projeta um "edifício" do
conhecimento universal, para que as portas se abram à cultura e/ou ao
aperfeiçoamento dos sujeitos. A
diferença do bibliotecário para o arquiteto é que, em vez de ferramentas
matemáticas e o desenho, ele usará códigos, tabelas e índices. Por isso é tido
como um profissional técnico, mas nada obsta que atue com conteúdos, sem que se descaracterizem os fundamentos de sua profissão e as atribuições previstas em lei². Que o
bibliotecário tivesse uma expertise na área de conhecimento em que
atua seria o ideal, mas é impossível, porque é um profissional que atua, tal como o arquiteto, em
diferentes áreas do conhecimento. O conteúdo deve ser o suficiente para construir "pontes" de informação, por onde transitam diferentes e múltiplos interesses. Ou seja, sua responsabilidade é estar atento às
potencialidades e dificuldades do seu público em relação ao acesso a que a instituição
pode oferecer, para que resulte, cada vez mais, na disseminação do conhecimento e no
desenvolvimento das pessoas e dos saberes na sociedade.
1. Gomes, Hagar E. ver em http:// www.bibliodata.ibict.br/ geral/docs/ProfissaodoFuturo.pdf
2..Ver referências sobre atribuições e papel do bibliotecário (sugestão) em http://www.cfb.org.br/institucional.php?codigo=7http://archive.ifla.org/VII/s8/unesco/port.htm
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