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quinta-feira, 14 de julho de 2016

Biblioteca e pedagogia bibliotecária Sheila G. Soares


O aprendizado se dá em qualquer espaço na vida.  Porém, ocioso dizer, a escola é o espaço  de aprendizado por excelência, pela necessidade de instruir,  desenvolver competências  e principalmente inserir o indivíduo no mundo letrado, através das práticas pedagógicas.  Já a biblioteca propicia o acesso a objetos informacionais, que são objetos físicos e virtuais, que podem não ser necessariamente  de natureza pedagógica, cujo acesso exige ferramentas facilitadoras. Nesse sentido, a informação cumpre a função de gerar conhecimento. A informação é parte do corpo do conhecimento, não é ele próprio. Assim a biblioteca cumpre um papel de mediação, não entre o “usuário/ utente/ consulente”    e o conhecimento propriamente dito, como é próprio da escola; é a mediação entre aquele e as formas de acesso a conteúdos,  através de sistemas de informação. Os sistemas de informação são estruturas que dispõem de pontos de acesso - como autor, título e assunto - para atender ao desejo, ou a uma necessidade  que tenha gerado uma busca  por parte do indivíduo. Já  o leitor, na sua definição léxica de  ”aquele que lê”, ou se propõe a ler, na ou através da biblioteca, é aquele usuário que é membro ativo e faz parte da comunidade de leitores, integrado à instituição.  Há correntes que  inclusive chegam a chamá-lo “sócio” ou “cliente”. É quando  aparece o termo leitor na biblioteca, a partir da atividade interessada de um usuário neste espaço. Os demais serão potenciais leitores.  Pode-se dizer que uma das expectativas mais comuns nas bibliotecas é fazer de um usuário, apenas visitante ou frequentador, um leitor; daí as atividades culturais em uma biblioteca  serem uma estratégia importante para atrair o usuário ou potencial leitor para o uso frequente da coleção ou acervo ou para serviços além dela. Como pensar o papel do bibliotecário? Desde as políticas de leitura tenta-se “pedagogizar” as funções bibliotecárias para o que chamam de “formar leitores”. No Brasil essa tendência surge em fins da década de 90 do século passado, com os planos e políticas de leitura (PNLLs), que ganham força pelo país afora, e  cujo viés pedagógico surge com força. Isso implica (e está expressamente colocado nas diretrizes do Proler) que as bibliotecas ( e os profissionais) precisam "dar mais atenção" ao usuário do que às atividades que os ocupam tradicionalmente como o tratamento da coleção, as atividades de classificação, catalogação, referência etc. Não que o bibliotecário não possa se envolver em atividades culturais ou pedagógicas, como acontece em bibliotecas escolares, é bom que se envolvam, mas tradicionalmente, para este profissional não é requisito explorar conteúdos, embora tenha que ter/fornecer referência deles;  ao contrário do que ocorre com o professor, que ministra os conteúdos. "Grande cuidado está sendo devotado ao estudo das estruturas dos documentos, [...] de forma que os bibliotecários estão sendo vistos por outros especialistas como `arquitetos de informação". (GOMES,2010)¹ É como o arquiteto que projeta um hospital, desconhece  matéria médica, mas entende as necessidades de um hospital. No máximo, ele precisa se informar sobre o  que é essencial ao edifício para dar-lhe segurança, conforto e acessibilidade. Ou seja, ele reúne informações para que o projeto seja executado à perfeição. Por analogia, o bibliotecário projeta um "edifício" do conhecimento universal, para que as portas se abram à cultura e/ou ao aperfeiçoamento dos sujeitos.  A diferença do bibliotecário para o arquiteto é que, em vez de ferramentas matemáticas e o desenho, ele usará códigos, tabelas e índices. Por isso é tido como um profissional técnico, mas nada obsta que atue com conteúdos, sem que se descaracterizem os fundamentos de sua profissão e as atribuições previstas em lei². Que o bibliotecário tivesse uma  expertise na área de conhecimento em que atua seria o ideal, mas é impossível, porque é um profissional que atua, tal como o arquiteto, em diferentes áreas do conhecimento. O conteúdo  deve ser o suficiente para construir "pontes" de informação, por onde transitam diferentes e múltiplos interesses. Ou seja, sua responsabilidade é estar atento às potencialidades e dificuldades do seu público em relação ao acesso a  que a instituição pode oferecer, para que resulte, cada vez mais, na disseminação do conhecimento e no desenvolvimento das  pessoas e dos  saberes na sociedade.

1. Gomes, Hagar E. ver em http:// www.bibliodata.ibict.br/ geral/docs/ProfissaodoFuturo.pdf
 2..Ver referências sobre  atribuições e papel  do bibliotecário (sugestão) em http://www.cfb.org.br/institucional.php?codigo=7http://archive.ifla.org/VII/s8/unesco/port.htm 

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