As políticas de Livro,
leitura e programas de incentivo à
Leitura têm defendido com certo ardor de
causa a ênfase ao campo literário como
se este fosse uma unanimidade. É verdade que tudo começou com a Literatura,
desde as mitologias às mais antigas narrativas bíblicas e as mais diversas
narrativas. A História se funda com Homero
e Heródoto e, sendo que Homero relatava proezas sem qualquer preocupação com
inteligibilidade* e Heródoto, considerado “o pai da História”, já ensaiava
um método para contrastar fatos com a
realidade e procurava não relevar as tradições mitológicas. Mas é Homero quem
aparece aos doutos e mestres em Literatura como o reverenciado. E Heródoto
encolhe-se no escaninho da historiografia, já que se constituiu na primeira tentativa do homem em sistematizar o
conhecimento de suas ações, ao longo do tempo. Sua inovação consistiu em
transformar a “linguagem dos deuses para a dos homens”, pela da investigação. Outras e muitas sistematizações e métodos, valendo-se de hipóteses
e argumentos seguiram-se depois, constituindo o campo da Ciência e da
Filosofia, na tentativa de aproximar o homem da “verdade” sobre sua existência.
O campo da criação, imaginação e da fantasia ocupou seu lugar na Literatura, o
campo da teoria e experimentação na Ciência, que expandiu-se em vários ramos,
ou seja a tomarmos só a classificação de Dewey*, sete entre os dez campos do
conhecimento (em bibliotecas, “assunto”) são de natureza investigativa:
Filosofia, Psicologia, Ciências Sociais, Língua e Linguística, Ciências Físicas
e Naturais, História, Geografia e Biografia, ao passo que Religião, Arte e
Literatura- a excetuarem aí os estudos sobre - ocupam o metafísico, o fictício
e imaginário. E tenho observado que as defesas apaixonadas da
Literatura se prendem a crenças, que vêm
se consolidando, de que é através dela que se tem o “entendimento do mundo”,
por não estar presa a qualquer paradigma, leis ou regras; a ciência,
argumentam, está aprisionada irremediavelmente ao caráter didático , no acervo
constituído para uso em sala de aula, portanto, o conhecimento científico é, por
natureza, tedioso; verdadeiro em parte, porque a escola estigmatizou as ciências
exatas e humanas, cuja expressão está na visão pedagógica para os jovens, logo, nos livros didáticos, o que, a meu ver, seria a sua pior expressão possível. Que ações de incentivo se têm
implementado para o gosto da Ciência, de ler e experimentar ciência? O livro
temático é a fonte primária do conhecimento. A secundária está nas coleções de
referência e nos didáticos. Daí acredita-se, com certo
exagero, que a literatura irá fatalmente levar o estudante, no futuro a se
interessar por obras de importância incalculável para a Humanidade, como as de Darwin, Freud, Marx, Einstein, e Stephen Hawking, por
exemplo. Gênios na arte como Charles Chaplin, Van Gogh, Beethoven. Da política
como Maquiavel e Gandhi. Da educação como Piaget e Paulo Freire. Esses
pensadores, entre muitos, foram autores e tiveram expressão escrita tão
personalíssima como grandes autores da literatura. Não são meros verbetes ou
citações de livros didáticos e dos quais nunca mais se falará, fechados os
portões da escola. Não se trata de “matéria de aula e prova”, mas de conhecimento. Conhecimento na acepção exata do termo. E esse conhecimento, arrisco dizer, a continuarem essas políticas, passando somente pelas carteiras e por provas, estará em vias
de extinção. É claro que não estou falando dos pequenos das séries
iniciais, mas a partir dos 11, 12 anos em diante, é preciso mostrar que as formas
de apreensão do mundo estão em todos os ramos do conhecimento e que estão também nas livrarias, bibliotecas e todas as mídias. Acreditar-se que
Literatura seja "libertadora', quando a única coisa que ela liberta de verdade é do estudante aplicar-se a “duras” tarefas de investigar os
fatos e fenômenos e trabalharem argumentos que necessitam comprovar, coisa que o devia fascinar e maravilhar e não
entediar. As maravilhas da tecnologia e da ciência estão aí dadas para
comprovar em que resulta o investimento em pesquisas e leitura diversificada nos países mais avançados. Literatura, como classificou Dewey, é o campo da
retórica. Nada contra a retórica, ela é necessária na construção do discurso, mas a tendência preocupante, nas últimas décadas, é que a leitura dos
temas de natureza científica, interessante por si só,“precisa”
ser mediada pela literatura e pelos didáticos para “amenizar’ a sua “dureza”. Pessoalmente amo
ler e amo literatura, confesso que me vejo em dificuldades com as ciências exatas, mais por falta de competências do que por qualquer outra razão, mas reverencio a Ciência pelo conjunto da obra que viabiliza e viabilizará o desenvolvimento da civilização; por isso defendo que, tanto ela quanto os demais ramos do conhecimento, precisam, na mesma medida, de incentivo, em todas as formas de expressão e ambientes.
https://cpantiguidade.wordpress.com/2009/10/14/perfil-historico-herodoto/
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