Total de visualizações de página

quarta-feira, 28 de março de 2012

Como Dewey pode ajudar a educação

Não, prezados leitores, não é o Dewey- John, filósofo e educador, é o velho Dewey- Melvil, sim, o bibliotecário, criador da famosa CDD que até hoje as bibliotecas cultuam, a bíblia dos bibliotecários , o "código Hamurabi" da classificação. Pois bem, Dewey, ao construir sua indestrutível tabela, partiu de um grupo de 9 perguntas diretas e simples:

 1.De onde viemos, quem somos?
 2. Quem nos criou?
 3.Como entender o mundo à nossa volta?
 4.Como nos relacionamos?
 5. Como entender e aplicar conhecimento sobre a Natureza?
 6.Como entender e apreciar a Arte?
 7.Como nos divertir?
 8.Quem são e como são nossos heróis, personagens e fantasias?
 9.Como registrar os feitos e acontecimentos do Passado para legar às gerações do Futuro?

A primeira pergunta,- De onde viemos, quem somos? - aplicada à tabela, se refere, claro, a categorias filosóficas. É claro que não se vai ministrar filosofia aos pequeninos desde as séries mais iniciais, mas nessa rubrica já podemos introduzir elementos da identidade: seu nome, sua família e sua casa. Já a partir do fundamental (5º ano) já podemos ampliar essa identidade: elementos étnicos , costumes, crenças e folclore, a História, e tudo que nos diferencia dos demais povos. Do 6º pra frente, o homem como indivíduo físico e cultural e seu ambiente físico e cultural. Já no segundo grau, aprofundamento de História Geral e do Brasil.
A segunda pergunta  tem um viés religioso  - Quem nos criou? - porque Dewey a considerava de extrema importância, por ser cristão fervoroso, e sua tabela é predominantemente detalhada nesse quesito. Porém, a escola pode introduzir rudimentos da Criação, tanto do ponto de vista científico - o Universo, o Cosmos e os seres - tanto quanto ou também religioso, sendo esse último polêmico - Bíblia ou Darwin? Já entre as crianças (do 5º em diante) maiores, as primeiras noções de biologia. Que serão ampliadas pela pergunta 3: como entender o mundo à nossa volta? - até o 5º ano, o microcosmos social, a vizinhança, o bairro e o município, e a partir do 2º ciclo, noções mais aprofundadas sobre o Meio ambiente e biodiversidade, o meio urbano e sua complexidade, conhecimentos geográficos. No segundo grau, aspectos teóricos e críticos, envolvendo Economia, Ecologia e Política.  A 4ª,  - Como nos comunicamos? a linguagem aplicada, desde a alfabetização até a proficiência na lingua desde as etapas da palavra, frase, enunciado e discurso como construção, sendo (sugestão minha) que a análise morfológica e  sintática somente a partir só 6º ano. A 5ª,- como entender e aplicar conhecimentos sobre a natureza - se aplicaria às Ciências Exatas - Matemática, Astronomia, Ciências da Terra, Invenções e Tecnologia, desde todo o fundamental  e no segundo grau, Química, Física e Biologia aplicada, quando entram  fórmulas e conceitos, cujos rudimento o estudante já viu na 2ª pergunta. A 6ª - Como entender e apreciar a Arte  desde os primeiros até o último ciclo, seria prepará-los a tornarem-se espectadores, o que implica em ver filmes, peças, recitais, leituras,exposições e eventos. Uma variante é também praticar arte como atividade extra-curricular. Sétima pergunta, como nos divertir? - pode estar ou não incluída na anterior, mas de natureza totalmente livre e à escolha do indívíduo estudante: esportes, dança, artes marciais, informática etc. A 8ª  - Quem são nossos heróis etc. -e à qual Dewey também oferece extensa tabela é a Literatura, que se refere a conhecer autores  tanto universais quanto nacionais, não como especialistas, mas apreciadores e possíveis produtores. Tal condição exige uma capacitação apurada e dedicada do desempenho na língua ao longo do tempo proposto pela 4ª pergunta. E finalmente, a 9ª - Como registrar fatos e acontecimentos etc. - a História deve ser introduzida à medida que se estuda a nossa identidade, nossa origem e, principalmente, entendida como registro de fatos importantes para entendermos o país e a  Humanidade como ela é hoje.
As perguntas são fios condutores que podem auxiliar a montagem de currículos e não um esquema pedagógico rígido, mas certamente Dewey nos oferece uma alternativa à celebre pergunta recorrente nos estudantes sobre as disciplinas: por que estudamos isso, por que preciso disso? Uma outra coisa de grande valor é que a proposta é temática, ou seja as disciplinas vêm responder aos temas e não o contrário. A disciplina é necessária para entender determinado tema, mas os temas é que a subordinam. Não vejo nada mais inovador! E pensar que a ideia vem lá do século XIX...

Nenhum comentário:

Postar um comentário