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quarta-feira, 28 de março de 2012

Livrarias e bibliotecas

Quando visito as livrarias sinto uma espécie de inveja. Elas têm um layout tão acolhedor e aconchegante, um apelo de "fique-aqui..." e a gente vai ficando. Por que muitas bibliotecas públicas ainda não podem ser assim?
Acontece que nas livrarias, as estantes são setorizadas em grandes assuntos; nas bibliotecas são por hierarquia dos códigos de classificação, chamados "topográficos" e as obras são dispostas de modo hierárquico de assunto e não por grupo de assuntos afins. O argumento é que "facilita" a localização. Discordo. Nas livrarias não há um livro sequer  que o atendente não localize, independentemente de os assuntos não estarem hierarquizados. Porque, se ele não localizar, é prejuízo para o negócio. Nas bibliotecas, a hierarquização é prejuízo para o encanto e mesmo facilidade do usuário. Na verdade esses códigos são irrelevantes para ele. Evidente que as bibliotecas ainda levam ainda vantagem sobre as livrarias no que se refere a recuperar as informações de cada ítem, mas o que impede as livrarias um dia chegarem lá? Por enquanto, não há catálogo nas livrarias, há registro de estoque , mas elas poderão avançar e adquirirem softwares em que também contemplem a particularização de assuntos. E mantenham a feliz setorização. Há diversas partes em uma biblioteca que precisam ser setorizadas: infanto-juvenil, referência, literatura universal , literatura brasileira, clássicos estrangeiros, clássicos da Literatura Brasileira, livros de estudo e ensino (didáticos e pedagogia numa mesma seção), poesia e auto-ajuda, oito seções só para começar. Isso em uma livraria é tranquilo. Em uma biblioteca põe por terra preceitos tradicionais de organização, e que vêm se arrastando há séculos, por pura obediência. Preceitos que os profissionais temem mexer em nome de uma internacionalização e uma padronização que as comissões técnicas, inamovíveis em seus pedestais, mantém por defender os antigos ideais e alguns para defender seus próprios empregos.
Consultando minha "bola de cristal",  antevejo  as bibliotecas cada vez mais próximas das livrarias no quesito organização física. E com o aumento do poder aquisitivo do povo para comprar livros, as bibliotecas nos velhos moldes poderão ser fadadas ao abandono, ou entregues a um competente bibliotecário, que, ao admirar sua organização. tão fiel aos padrões, em pouco tempo terá acrescentada as suas, uma nova e penosa função: a de espantar moscas.

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