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quinta-feira, 29 de março de 2012

Psicologia do mistificador na Rede

Com o advento da Internet temos algo realmente estarrecedor: a disseminação da mediocridade na sua expressão mais completa. Desculpem-me as exceções.
Fosse só a mediocridade, não seria tão mau assim, afinal seres comuns tem lá seus direitos de expressão.
O problema é essa mediocridade vir com a falsa assinatura de talentos consagrados nas áreas de comunicação e literatura.
O campeão entre as vítimas dessa impostura é Luís Fernado Veríssimo. Faço a minha parte, quando vejo que o texto é falsamente atribuído a ele, alerto imediatamente aos que me mandaram. Nunca repasso. 
No entanto, a proporção dessa propagação é igualável a um tsunami. Textos piegas, pueris, e beirando o ridículo são atribuídos a Veríssimo.Raras vezes me engano, mas uma ou outra crônica meio que imita o estilo do escritor gaúcho, e então procuro socorro em fontes que possam autenticar esses textos, mas não encontro, o que me resta é uma sensação de indignação e impotência.
Ocorre-me agora que poderia existir uma espécie de central de autenticação  para autores na Internet, como existe a Biblioteca Nacional no que se refere a registro de livros. O autor (verdadeiro) registraria nesse site, mediante um protocolo secreto, ou senha,  sua crônica ou artigo, então o que não tivesse esse registro do autor seria falso.
 Costumo consultar a autenticidade nos lugares onde o autor publica, como jornais, por exemplo, mas nem sempre acho resposta satisfatória. É necessário um sistema de segurança, não só para falsos textos atribuídos ao autor, como textos autênticos "tungados". A segunda opção é mais rara, porque é controlável pelo autor - mas controlar o que ele não escreveu  é quase impossível.
Há que se criar uma consciência com respeito a esse comportamento. Mas primeiro é necessário que se entenda esse mistificador da rede. Ele se sente "prestigiado" porque os leitores acreditam que um texto seu é do Veríssimo ou outro grande autor. E assim vai alimentando uma espécie de vaidade anônima, que é falsa, porque sabe que o que escreve é medíocre, e por isso, não se identifica. Ou, ao contrário, cai em auto-engano, sentindo-se à altura do que ele supõe ser o seu alter-ego literário
Aí está um grande desafio aos desenvolvedores de sistemas, aos tecnólogos da  informação e a todos os bem intencionados.
Quando por enquanto nada se pode fazer, sugiro o seguinte: que não se repassem textos que não venham com a fonte, isto é, a identificação de onde foi publicado. É um começo.

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