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quarta-feira, 28 de março de 2012

Bibliotecários famosos: Georges Bataille

A nossa queridíssima Wikipedia no verbete Bibliotecários Famosos (http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_bibliotec%C3%A1rios)  omitiu o  biblioteccário e pensador Georges Bataille que, se não tinha formação específica (nem existia) exerceu por décadas a função e, desculpem falar de mim um pouco, ele, como eu (que não sou famosa),  generalista que era (criou o Collége de Sociologie), se dedicava a escrever sobre os mais variados temas, todos que envolvessem Humanidades.

Por esse motivo Bataille é meu ídolo, é em quem me espelho; como ele, nunca me senti confortável em qualquer especialização. Não satisfeita com Biblioteconomia - que, cá entre nós, é uma especialização - parti para Ciências Sociais em 1972, e, bem mais tarde, em 2001, para Produção Cultural. E sobre elas vivo escrevendo, de um modo ou de outro.

Mas estou aqui para falar de Georges Bataille:

Nasceu em 1897, em Billom (França). A infância foi passada em Reims, cidade onde permaneceu até 1914. Com o início da I Guerra Mundial, abandona Reims com a mãe e parte para Riom-ès-Montagnes, deixando o pai, doente, para trás (situação que o marcou profundamente e pela qual se sentia responsável). É por esta altura que se converte ao catolicismo, ingressando no Seminário de Saint-Flour em 1917. Em 1918 publica o seu primeiro escrito: Notre-Dame de Rheims, em memória da notável catedral, destruída pelos bombardeamentos. No mesmo ano concorre (e é admitido) à École des Chartes. Assim, abandona o seminário e instala-se em Paris. Em 1922 parte para Madrid, para a Escola de Altos Estudos Hispânicos (actual Casa Velásquez). Lá, apaixona-se pelas ‘corridas’ e toda a simbologia sexual em que estão envoltas. Em 1922, obtem o diploma e em 1924 inicia a sua longa carreira de bibliotecário na Biblioteca Nacional, onde trabalha durante 20 anos. Em 1937, cria o Collège de Sociologie juntamente com Roger Caillois e Michel Leiris, destinado a estudar as manifestações do sagrado na existência social.
É autor de uma vasta e diversificada obra (abrangendo formas e temas tão opostos como a poesia, a narrativa, o místico, a economia, a arte ou o erotismo), publicada em parte sob pseudónimos (Lord Auch, Pierre angélique ou Louis XXX). Possuía um grande talento interdisciplinar e uma capacidade invulgar para utilizar discursos distintos. Algumas das suas obras, consideradas “literatura de trangressão” (e, portanto, escritas sob pseudónimo, como é o caso de O Ânus Solar), foram mal aceites pela crítica. No entanto, uma análise mais cirúrgica a esses livros permite desvelar a sua profundeza filosófica e emotiva. Nos livros que escrevia procurava fornecer perspectivas paradoxais, encerrando pontos de vista divergentes e escondendo significados mais profundos por detrás do significado primeiro e aparente. A filosofia de Bataille, embora pouco conhecida durante a sua vida, foi uma influência para autores posteriores, como Foucault, Sollers e Derrida. Fundou numerosas revistas (como a Critique, de 1946, da qual era director do comité de redacção) e grupos de escritores.
Morreu em 1962, em Paris.
                                             Fonte:Assírio & Alvim  http://www.assirio.com/autor.php?id=7944&i=G

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