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quarta-feira, 28 de março de 2012

Globalização e sistemas de informação

Hoje uma área de conhecimento que ainda não tem status de especialidade  vai  tornando  força, ao falarmos em sistemas de  informação: a Antropologia da Informação (A I). Muito recente (pensada desde os anos 90 ou pouco antes) e próxima à semiótica, a A I  vem sendo discutida no Brasil e divulgada a partir de estudos de Regina Maria Mateleto (1) nos quais enfatiza que  "a informação, nos últimos anos, foi se desprendendo de um fator regulador de sistemas (físicos, químicos) para se tornar (e se integrar a) uma cultura informacional contemporânea e/ou pós-moderna" (MARTELETO, 1987). E isso significa, "dentre os pressupostos contextuais, cabe destacar o do conhecimento como produto social, com o reconhecimento de uma “cultura informacional”  daqueles dela excluídos; o deslocamento do eixo de política de conhecimento e informação do estatal/público para o privado; e a conformação de um mercado de bens simbólicos com disputas de sentidos entre diferentes práticas, discursos e ações de intervenção social."  E que "dentre os pressupostos empíricos, destacam-se as diversas formas de organizações sociais e suas interfaces com ambientes formais de conhecimento e informação; o conhecimento teórico, histórico, prático e suas composições e estranhamentos na sociedade civil; ação social e saber local: especialistas, lideranças e intervenções com mediação informacional; informação formal dos sistemas oficiais x informação cinzenta e/ou subterrânea das organizações".  Paremos por aí e vamos nos ater aos trechos grifados por mim.
A) O deslocamento do eixo de política de conhecimento e informação do estatal/público para o privado, onde entendemos como "estatal/público" os atores ligados às instâncias de poder e institucionais e como "privados", os atores das instâncias da sociedade civil organizada, do mercado e, principalmente, os atores individuais na sua ação de produção e formatos da informação, a cada dia mais ativos nos processos de comunicação abertos pelos sistemas de conteúdos da Internet., que de uma forma anárquica, permite  acessar a informação de todas as maneiras possíveis, "sem método".
B) Organizações sociais e suas interfaces com ambientes formais de conhecimento e informação, onde entendemos que há uma certa autonomia desses sujeitos individuais, mas ao mesmo tempo há necessidade de uma identidade entre práticas e discursos, uma vez que os agentes de poder, tendo diante de si a tarefa de ´universalizar ´ os discursos e as práticas. Como por exemplo a relação entre usuários de biblioteca e seus catálogos, altamente formalizados quanto aos quesitos de busca.
C) Por último, a necessidade de uma mediação "entre a informação formal dos sistemas oficiais e informação `cinzenta ou subterrânea das organizações`" que nada mais é do que o impasse, em que as primeiras têm de abdicar de suas redes de aprisionamento da informação e estabelecer um diálogo com as diferentes formas de acesso produzidas pelo público.
Vistas essas questões, como se implantar um sistema de informação que contemple o saber global e o local?
 Falávamos em rever conceitos em torno de um sistema de informação, sob a ótica da globalização, e isso compreende que, a partir dos centros de decisão/informação, cada área deva estabelecer canais para um feed-back usuários-centros de informação. Isso representa uma retroalimentação dos sistemas numa dinâmica que se vai do Geral para o Particular e vice-versa, num movimento circular. E a ferramenta é a Antropologia da Informação.  A A I será informada das formas pelas quais se dão as buscas através dos grandes portais. E sua análise requer uma quase simultaneidade entre entradas e saídas de informação, seus conflitos e sua eficácia. O (novo) gestor da Unidade de Informação irá buscar nessa fonte os modos pelos quais se dão esses acessos e imediatamente utilizá-los em seus catálogos, e, evidente que estarão em constante revisão. Quando o mecanismo de busca do Google aponta para uma estatística da pesquisa por expressões ou termos significativa (muitos acessos) ex. Dicionário inglês-português 2,860,000 (dois milhoes, oitocentos e sessenta mil acessos), tal fato nos leva a algumas reflexões.
Sabemos que os catálogos tradicionalmente construídos pelas bibliotecas são fechados, isto é, uma comissão de especialistas escolhe não só os termos como as formas de entrada. No caso da AACR2  (Código Anglo-Americano) a visão contempla o "olhar estrangeiro", particularmente norte-americano,sobre os descritores. Assim História do Brasil será Brasil -História, uma vez que para o estrangeiro essa informação abarca um conjunto de informações especializadas, enquanto que para o usuário local (do Brasil) ela é, ao contrário, inespecífica e até irrelevante, pois muito geral . Voltando ao Google verificam-se Brasil - história , 6,200,000 acessos; para Historia do Brasil 11,000,000 de acessos; para Brazil History 25,000,000 de acessos, uma diferença razoável e indicativa da busca através do olhar estrangeiro. Há que se considerar ambas as entradas, tanto pelo olhar local quanto pelo olhar estrangeiro, e também contemplar as especificidades  regionais. Nós, profissionais alimentadores desse sistema,.devemos não só refletir como nos responsabilizar pelas respostas aos desafios que a globalização apresenta, sob pena de perdermos o bonde da História.                                                                                                           

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