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quarta-feira, 28 de março de 2012

Leia menos, reflita mais Jerônimo Lima

Artigo de Jerônimo Lima*

Vivemos numa sociedade poluída pela oferta de informações a ponto de gerar um síndrome ansiosa caracterizada pela tendência de ler tudo sobre tudo. Neste artigo, o diretor-coordenador do Núcleo Rio Grande do Sul do IBCO, Jerônimo Lima, mostra como contornar o problema com praticidade e consistência. “Vivemos numa sociedade saturada e poluída de informações, na qual o poder está nas mãos de quem as detém. Associado a isto, há um aumento dramático da doença da moda, a síndrome da ansiedade de informação, caracterizada por uma tendência a se ler tudo sobre tudo. É fácil entender a síndrome: quando a quantidade de leitura consumida é superior à quantidade de energia disponível para sua digestão, o excesso se acumula convertido em stress e overdose de estímulo até o estado doentio. As formas mais comuns de manifestação da doença são a frustração gerada pelo volume, a decepção com a qualidade dos conteúdos, a sensação de saber pouco e tarde demais. Fique atento aos sinais da doença: demora a se “desligar” das atividades, mesmo quando está fora delas; queda da produção no trabalho e/ou nos estudos; distúrbios de sono; agitação, irritabilidade, fadiga, dores musculares e lapsos de memória. Faça um teste para ver se a contraiu em http://www.crcinfo.com.br/testes.asp. Após assistir o dr. Ryon Braga  www.aprendervirtual.com  falar sobre o tema, refleti se devia me vangloriar ou me criticar por ter lido pelo menos um livro por semana, por mais de 20 anos. Concluí que todos nós, generalistas itinerantes, intelectuais curiosos, maníacos por leitura e estudantes de mestrado e doutorado, não precisamos digerir essa avalanche literária que nos é imposta. Passei a escolher mais criteriosamente o que ler pela relevância do conteúdo para minha vida e trabalho, praticidade e consistência. Menos leitura com mais qualidade é melhor para adquirir conhecimento. Para entender melhor isto, leia “Ansiedade da Informação”, de Richard Saul Wurman, e o artigo de Rubem Alves “O prazer de ler: sobre leitura e burrice”, em “Entre a Ciência e a Sapiência: O Dilema da Educação”. Para não ficar doente, faça um plano de leitura com grupos de assuntos específicos. Uma vez adaptado e no seu controle, modifique-o para incluir ou excluir alguma fonte, quando necessário. Caso realmente precise encontrar um livro esgotado, procure em www.livrosdificeis.com.br. Em seu Plano de Leitura, coloque jornais (...). Leia um por dia, antes do trabalho.  Escolha um jornal de ampla cobertura, com cadernos sobre temas variados. Melhor: assine o serviço Informa Brasil ( www.informabrasil.com.br), pelo qual é possível ler as notícias em mais de 400 jornais e revistas em um único informativo totalmente personalizável. Inclua revistas de cultura geral. Sugiro a Bravo! ( http://bravonline.abril.com.br ) e a Scientific American Brasil (...) (...)Os livros: como preparação para a leitura, adquira um ótimo dicionário, como o Houaiss ( www.dicionariohouaiss.com.br ), em cd-rom. Leia um livro por bimestre, alternando um de sua área de atuação com outro que não seja, dando preferência aos clássicos e aos mais indicados pelas livrarias Cultura ( www.livcultura.com.br) e Amazon ( www.amazon.com).
Agora, o mais importante: seu plano de leitura tem de ter alguma ação específica para transformar conhecimento em capital intelectual. Isto vai acontecer se você fizer uma profunda reflexão do que ler. Reflexão significa “concentração do espírito sobre si próprio”. Isto é, pela reflexão, suas idéias e sentimentos consideram as observações que resultam de intensa cogitação, traduzindo-se assim numa virtude que evita a precipitação de juízos, a imprudência e a impulsividade na conduta, fazendo de quem reflete uma pessoa menos paradigmática e mais aberta. E ande sempre com um bloco de anotações e uma caneta ou use seu celular/PDA para registrar os insights provenientes de suas leituras e reflexões. Assim vai conseguir criar projetos de melhoria para sua vida e trabalho”.
 *” Leia Menos, Reflita Mais” foi escrito por Jerônimo Lima, Diretor do Núcleo Rio Grande do Sul do IBCO diante de sua experiência em consultoria

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