Muitos se impressionam com o potencial de oferta de livros, não só no mercado quanto nas bibliotecas e o reduzido número de consumidores do livro. Pode-se dizer que um terço dos leitores use a biblioteca por força de estudos necessários à qualificação profissional; outros são pesquisadores, e um número bem menor é de curiosos ou leitores, digamos “de fruição” ou bibliófilos.
Os leitores de fruição que procuram bibliotecas certamente estão entre aquela camada que não tem meios de adquirir livros, e têm algum tempo para freqüentá-las, o que reduz este universo mais ainda. Dito isto, a possibilidade de uma biblioteca ser um órgão difusor “de massa” é mínima. Daí temos que, no conjunto, esperar que se vá contar com um número sempre reduzido de demanda de leitores em relação à oferta de de obras.
Uma estratégia que se tem usado é instalarem-se bibliotecas em lugares de alta circulação, como metrô, e nos bairros, uma estratégia salutar, mas que não mexe muito nos índices de fruição entre o livro e outras mídias, pois pessoas que “poderiam estar lendo” estão no computador, ou celular. E a tentativa de mudar este quadro é inócua.
Deve-se, por isso, simplesmente desistir?
Nunca! A biblioteca jamais perderá o papel de memória de uma cultura. Mas de que vale esse papel, se o livro está apenas disponível, porém intocado? Considere-se, no entanto que o registro de sua existência possa, a qualquer momento, acionar o seu uso. Assim é imprescindível que os livros estejam fisicamente dispostos em algum lugar, para tornar possível o seu acesso e a informação sobre eles em algum meio. Isso é elementar em biblioteconomia. Hoje há a biblioteca virtual e o acesso via Internet , mas nem tudo está disposto na Internet, há problemas como portabilidade e inclusão digital.
Deste ponto de vista, contrariando os prognósticos que já se tornam comuns , não será em pouco tempo – podemos arriscar séculos- que a biblioteconomia desaparecerá. Certamente, o pressuposto está certo quanto à relação cada vez mais diminuta leitores /obras .
Se a biblioteconomia não vai desaparecer, no entanto as funções intrínsecas devem ser alteradas. O bibliotecário já tem, como nas redes, à sua disposição sistemas em que migrem dados, já nos formatos-padrão, que “hospedem” seus banco de dados . Ele deve apenas adaptar esses dados à sua realidade local, como notações mais simplificadas e ordenamentos mais flexíveis da coleção.
A grande vantagem desses novos desafios é que o novo profissional deverá ficar mais livre para repensar as estratégias de ganhar e manter leitores. Desse modo, ele será um "caçador de leitores" e, para isso, deverá reunir qualidades pessoais de encantador, técnicas de marketing, cultura geral e de comunicação.
Esse futuro está muito perto mas, ao contrário da velocidade que a época exige, o que é preciso ter em mente é que tudo que cerca o livro é algo para se ter sem pressa e sempre !
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